Tenho 37 anos e não fui um santo. Longe disso. Fruto da separação dos meus pais, aos 4 anos, tive 3 escolas primárias, 1 preparatória e 4 secundárias. “N” prof’s. Apalpei o cu a uma professora, por engano. Tinha 10 anos. Levei uma estalada de uma professora e retribui. Tinha 11. No meu tempo, o máximo que acontecia era “abafar” uns bolos do tabuleiro sempre que chegava o homem das 10:15. A minha turma era conhecida como os “croissants”. Foram episódios “softs”.
A sociedade mudou e muito. Hoje (quase) todos os estudantes tem acesso à internet (e ainda bem), tem telemóveis e outras ferramentas. Óptimo. É a globalização, no pior e no melhor. Pior, porque tentam os mais pobres ter o mesmo que os mais ricos e é impossível agradar a todos. Nunca seremos iguais. Alguém ficará a perder. Perdem-se, por exemplo, valores. Perdem-se porque outras prioridades se atravessam. Gente que perde tudo o que tinha, sendo que esse “tudo” já era pouco. Metem-se na droga, na prostituição, na bebida. Levam os outros atrás, os que estão ao seu lado.
Ainda recentemente tivemos o caso da Geni, o transsexual morto no Porto. Foi o divertimento de uns quantos rapazinhos por uns dias. Escrevi sobre isso noutras paragens. São considerações sobre o momento em que o escrevia, mas que podem ser lidas ao “sabor” da actualidade. Veio-me à memória esse texto, até porque o caso na escola do Porto está na ordem do dia. Acresce aqui um pormenor que faz toda a diferença: o Carolina está na zona “in” da cidade, em que só a frequentam (em grande maioria), os estudantes que habitam na freguesia de Cedofeita. Estamos a falar da classe média-alta, principalmente. E, se calhar, faz toda a diferença enquadrar e pensar nas diferenças entre “meninos” e “meninos”. Generalizar é perigoso.
Na linha das últimas medidas do PS (criticáveis), faz sentido pensar que os pais possam ser punidos financeiramente sobre os actos irreflectidos dos filhos. Na sociedade portuguesa em que vivemos, nada mais faz sentido. Tem de doer a sério, onde as pessoas mais sentem: na carteira. Chega de falinhas mansas. Vive-se na ideia da impunidade permanente.
“Míudo, 14 anos, assalta joalheria; Rapariga, 16 anos, rouba lavandaria” (possíveis noticias de jornal). Bad Seeds, ou fruto do país de merda?



Resposta: frutos de um país de merda, COM QUE ninguém se preocupa. Nem os cidadãos nem os políticos.