Estive eu hoje num restaurante simpático, daqueles em que não penetra rede de telemóvel, algures na Bragança profunda, e entre uma valente costoleta e umas castanhas doidas, surge-me a incontrolável Teresa Guilherme. O programa, esse, é o Momento da Verdade, o tal que foi capa de revista aqui há uns poucos de meses, com um joalheiro (brochista?) de Gondomar que se orgulhava de bater na mulher. Disseram-me. Bom, hoje lá estava na “luta contra a febra” quando a gralha começa o espectáculo. Percebi logo (e era evidentemente impossível não reparar porque estavam apenas três pessoas na sala e a televisão fazia das suas), que era um daqueles dramalhões de fazer chorar – e chocar -as pedras da calçada. Entre uma garfada e um copo de tinto, ía ouvindo as perguntas e a estupidificação das massas. A cena é esta: uma mulher feita, bem gira (pelo menos parecia, estava eu um pouco longe), quarentona bem vivida, tem de se sujeitar às perguntas mais mesquinhas. Sim, eu sei, só lá vai quem quer e a quem faltam dois dedos de testa, claro, mas as observações e orientações de quem comanda as operações são lamentáveis. Refiro-me a duas perguntas/situações: se a dita senhora já tinha dormido com mais de 20 homens e se já havia fumado drogas leves. Ora, liberal como sou (não confundir com libertino), acho muito bem que ela tenha curtido umas (ou várias) cenas maradas. Com ou sem sexo. O que acho errado é a “voz da consciência” da Madre Teresa Guilherme (ou quem a obriga a este papel), ter de incutir na sociedade que é errado dar umas valentes fodas com mais de 20 gajos ou fumar umas grandes brocas até cair para o lado todo partido/parido. Temos de ser todos católicos, beatos, betinhos, cócós, cónós, vegetarianos, atletas, ex-fumadores e futuros militantes do PS, do PSD e da Opus-Dei?
Uma história…
Novembro 12, 2008 por Rui Pedro Lima
Publicado em bimbalhices, imbecis, media, televisão | 2 Comentários
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Ó homem, temos de ser todos normalizados pela ASAE-do-politicamente-correcto.
É uma chatice quem assim não é, porque como os independentes, são muito imprevisíveis.
Concordo que cada um fuma do que gosta, tem o sexo que pode e quer e que aquele programa é um nojo.
Mas quem lá vai está a vender o seu direito à privacidade e sabe ao que vai.
É do que o povo gosta e isso, sim, é que é uma tristeza.